sexta-feira, 21 de agosto de 2009


ANÁLISE LITERÁRIA - A PELE DO LOBO - ARTUR AZEVEDO
Professora Neide Domingues


Artur Azevedo, nascido no Maranhão em 1855 e falecido no Rio de Janeiro em 1908, foi teatrólogo, contista, jornalista e poeta. Foi responsável pela consolidação da comédia de costumes brasileira. Pertencente à segunda metade do século XIX, é considerado um autor que se insere no período literário intitulado Realismo. O Brasil vivia o Segundo Reinado (1840-1889), época marcada pelos movimentos abolicionista e republicano. Desde o fim da Guerra do Paraguai em 1870, a monarquia e a escravidão eram alvos de críticas. Artur Azevedo abordou principalmente assuntos cotidianos ligados a então capital brasileira, Rio de Janeiro. Suas obras são consideradas documentários sociológicos sobre a evolução comportamental do brasileiro. Indiretamente, são propostas discussões sobre ética e cidadania.
Em "A Pele do Lobo", sátira teatral de Azevedo encenada pela primeira vez no Rio de Janeiro em 1877, percebe-se uma temática conflitante. Configura-se a oposição entre a defesa da liberdade, bem como dos direitos e deveres sociais e os poderes, às vezes abusivos, antiéticos, ineficientes de ocupantes de cargos públicos. A peça se passa em Ato Único, sendo o cenário uma delegacia de polícia, também residência de Cardoso, o subdelegado que se "submete" a esse cargo na expectativa de ser promovido. Nesse local, Apolinário, típico brasileiro semianalfabeto e bajulador, aborda Cardoso a fim de registrar queixa contra Jerônimo por roubar algumas de suas galinhas. Como não consegue redigir a ocorrência, ironicamente, Cardoso "dita" o que ele deve escrever. Amália, esposa do subdelegado, apressa o marido todo o tempo, pois, mesmo em horário de expediente, sairiam para um batizado. Nota-se profundo descaso e ineficiência de Cardoso no desempenho de sua função.
Numa outra cena, Jerônimo deseja manisfestar sua defesa. Esse personagem leva sua queixa pronta, redigida em "um papel sujo que Cardoso pega com repugnância" e três testemunhas. Ele faz o tipo agressivo, determinado "custe o que custar", impertinente e atrevido. Demonstra embriaguez. Jerônimo reclama da burocracia, da morosidade da Justiça, da "pândega das autoridades concomitante ao sofrimento do povo". Além desse desacato verbal, ameaça o subdelegado com uma faca por chamá-lo de "insolente" e acaba preso. Percorre o drama acusado-vítima-acusado devido a sua dificuldade em lidar o sistema jurídico brasileiro, não tem nenhuma polidez, sutileza ou noção de hierarquia no trato social. Jerônimo representa o brasileiro que destrói o bem público: joga cinzas do cachimbo no chão e cospe na parede da delegacia três vezes.
A metáfora do lobo, presente no título da obra e na frase "Quem não quiser ser lobo não lhe vista a pele", proferida por Amália, sugere que se não quer passa horas ouvindo as partes de um processo, não se candidate ao cargo de subdelegado. Neste cargo tem-se de lidar com pessoas de diferentes níveis sociais, econômicos e culturais, com papéis, bandidos e exposições públicas. A fala "E metam-se a servir o país" manifestada por Cardoso diversas vezes sugere profunda ironia em relação ao funcionário público que, em tese, serve o país e não é reconhecido, recompensado por isso. Tanto que, no final da peça, Cardoso, em vez de promovido como deseja, é demitido, configurando-se a "ingratidão" do país para com seus préstimos.
Nota-se na linguagem de "A pele do lobo" um caráter realista típico da literatura da segunda metade do século XIX, muitas vezes, sem "papas na língua" ou a inverossímil idealização, a adjetivação exacerbada do Romantismo. São contemporâneos desse período vários estudos sobre a adaptação social (Determinismo) e a seleção natural (Evolucionismo) e o prestígio da Observação sobre a Imaginação (Positivismo), correntes filosófico-científicas focadas no homem, em sua dimensão material, objetiva. A visão idealizada de um homem sem falhas de caráter, capaz de dar a própria vida por seus valores, seus ideais e aspirações ficara na primeira metade do século em questão, no platonismo romântico.

sexta-feira, 31 de julho de 2009


A etimologia de uma palavra, muitas vezes, intriga... Um exemplo é a palavra "rival". Ela tem origem na palavra "rio", porque nossos antepassados já disputavam água. Do latim (XVII) rivalis, de rivus (rio).


quinta-feira, 30 de julho de 2009

O RITMO DA CHUVA

FERNANDA TAKAI E RODRIGO AMARANTE

sexta-feira, 17 de julho de 2009


3º LUGAR EM CONCURSO NACIONAL DE POEMAS - 2005

O dito pelo não-dito


Neide Domingues


Este cordão não me serve para nada!
Se ele me permitisse um contato fônico
Ou, ao menos, telepático,
Aí sim poderia prorrogar a minha vida,
Intermediar negociações,
Facilitar protelações...

Canal vital que transporta
Oxigênio e nutriente...
Até quando?
Insuficiente!

Ele é um verdadeiro não-leva-e-traz...
Minhas súplicas antitabagistas e antialcoólicas
Contra qualquer tipo de fetocídio breve ou lento
Certamente irão comigo para algum recipiente de pesquisa
Ou lixeira mesmo... Não faz diferença!
E traz informações que confirmam
Minhas suspeitas:
Estou com a vida por um fio!
Ou melhor, por um cordão,
Por um estúpido cordão!

Por que ele não se enrola de uma vez em mim
E abrevia essa aflição?
Ao menos, não seria testemunha de um crime covarde...

Não terei direito nem à primeira palavra,
Muito menos à última!
Mesmo assim, deixo meu testemunho
Contra a pena de morte intrauterina
Gravado neste minúsculo cérebro

E, se eu for cobaia de algum laboratório,
E alguém conseguir ler a minha mente,
Saiba que fui gente!
Não soltei pipa, nem enchi balões,
Mas, nos poucos meses que vivi,
Amei mais a vida
Do que qualquer um que respire
Pelos próprios pulmões...

Amnioticamente imerso,
Chego a imaginar-me um alevino,
Talvez um girino...
Minha expectativa de vida
Seria menos desprezível!

Não!!! Nem peixe, nem anfíbio,
Nem réptil, nem ave...
Sou um cordado racional
E estou acordado!
Só estou trancado
E não tenho a chave!
Tenho o cordão,
Mas ele não me vale...


quinta-feira, 9 de julho de 2009

PARADEIRO - ARNALDO ANTUNES E MARISA MONTE

SOCORRO - ARNALDO ANTUNES

SAIBA - ARNALDO ANTUNES